Agricultura Sustentável

03/09/2018

A rotação de culturas como aliada para a melhoria da produtividade.

O princípio da prática de rotação de culturas consiste em utilizar, no mesmo talhão, de forma planejada e alternada, espécies vegetais que possuam sistemas radiculares diferentes entre si, como por exemplo, gramíneas e leguminosas, tanto no inverno quanto no verão,aonde cada espécie escolhida vem a contribuir com o seu efeito benéfico para o solo e ambiente cultivado, bem como para a cultura sucessora.

 

De modo geral, o que podemos observar em diversas regiões do país é que a soja se tornou a principal cultura de verão, sendo esta espécie escolhida pelo fato de possuir excelente demanda no mercado e maior valor econômico, o que a torna responsável pela efetiva geração de renda na propriedade rural. Todavia, isto acaba ocasionando o predomínio de sistema de monocultivo de produção, o qual caracteriza-se pela elevada susceptibilidade à ocorrência de pragas, doenças e espécies daninhas, tendo em vista que esta prática de produção restringe a diversidade do agroecossitema.

A introdução de outras espécies nas áreas agricultáveis oferece várias vantagens, as quais tendem a se mostrarem mais evidentes a cada safra, considerando que a cada ciclo a prática de rotacionar culturas eleva a produção do sistema agrícola, o conduzindo à sustentabilidade, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. Tais espécies, conhecidas como plantas de adubação verde, possuem o seu desenvolvimento dependente das condições as quais são submetidas, tanto de solo, clima e época de semeadura. Sua importância e principal finalidade estão diretamente relacionadas à produção de palhada e resíduos, os quais são indispensáveis no controle da erosão superficial, elevação dos índices de carbono no solo, diminuição das plantas invasoras nocivas, fertilização dos solos e ciclagem de nutrientes.

Neste mesmo ponto de vista conservacionista, as plantas de cobertura dispõem de potencial para produzir grande quantidade de biomassa, podendo ser cultivadas individualmente ou consorciadas com duas ou mais espécies que possuem a mesma finalidade, porém com características distintas. Essa boa prática agrícola proporciona, além de excelentes condições para a manutenção de altas produtividades nos sistemas de produção agrícola, condições de recuperar áreas degradadas dentro dos talhões da propriedade.

Atualmente temos diversas plantas de cobertura que promovem benefícios ao sistema solo/planta. Como exemplo inicial podemos citar o tremoço, que se trata de uma leguminosa que possui a capacidade de fixar nitrogênio do ar e reciclar este importante nutriente para o solo através da decomposição dos seus restos culturais. Já a aveia, uma gramínea amplamente cultivada aqui na região sul, não possui tal capacidade, todavia quando semeada em consórcio com a ervilhaca, outra leguminosa, consegue promover excelente condicionamento de solo para as culturas sucessoras. Por fim, destacamos o nabo forrageiro, uma planta da família das crucíferas que pode ser cultivada de forma individual ou associada a gramíneas, tendo como seus principais benefícios a proteção do solo contra a erosão, a ciclagem de elementos como nitrogênio e fósforo e a descompactação através de seu sistema radicular bastante agressivo, o qual, do ponto de vista físico, possui potencial para promover significativas melhorias para os solos.

Portanto, temos que trabalhar com um olhar mais dinâmico quando projetamos nossos cultivos comerciais e as possibilidades de inserir, no intervalo deixado por eles, alguns dos sistemas de rotação de culturas, uma vez que no cenário atual, onde observamos diversas mudanças climáticas e a necessidade de preservação do nosso ambiente, os sistemas de rotação de culturas tornam-se ainda mais importantes protegendo os solos contra adversidades advindas do clima. Além disso, podemos nos tornar agentes de transformação, modernizando a agricultura e promovendo o aumento no rendimento e a estabilidade das culturas, vindo a produzir mais alimentos com menores impactos ambientais ao nosso planeta, fazendo com que os sistemas produtivos sejam agrossustentáveis.

Maurício De Bortoli – Engenheiro Agrônomo

Fonte: Maurício De Bortoli

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