Ferrugem Asiática

22/11/2017

É melhor prevenir do que remediar!

Ao iniciarmos mais uma safra de verão algumas preocupações vêm à mente do agricultor. Dentre elas podemos destacar a ferrugem asiática da soja, uma doença muito severa e com grande impacto econômico sobre a cultura. Dentre diversas estratégias para o seu combate, o controle químico passa a ser extremamente necessário para que possamos mitigar os prejuízos gerados pela doença. Entretanto, o sucesso nesta tarefa depende muito do manejo “preventivo” realizado durante as fases de desenvolvimento da cultura da soja.

Sabendo-se que a ocorrência de doenças fúngicas se dá a partir da interação entre patógeno, plantas e ambiente, e que a sua incidência pode ocorrer ao longo de todo o ciclo da cultura, o desafio é acompanhar a evolução do fungo no ambiente onde a soja está implantada para que, desta maneira, seja possível dar início ao seu combate, a fim de que este não tenha condições de estabelecer seu processo de infecção e consequente desenvolvimento nocivo sobre os tecidos vivos das plantas. Tal estratégia é de fundamental importância, pois ao efetuarmos o manejo antecipado evitamos que o fungo complete seus ciclos reprodutivos na cultura da soja e avance afetando o seu controle, gerando danos irreversíveis às lavouras comerciais.

Atualmente existem diversas ferramentas disponíveis no mercado agrícola para o combate ao patógeno Phakopsora pachyrhizi, sendo que a maioria dos fungicidas utilizados no seu controle pertence a três grupos químicos (Triazóis, Estrobilurinas e Carboxamidas). No momento em que foi identificada no Brasil, a ferrugem asiática foi controlada com a aplicação de fungicidas do grupo químico dos Triazóis, utilizados de forma isolada ou em misturas com Estrobilurinas. Na época, alguns Triazóis apresentavam alta eficiência de controle, mesmo quando utilizados isoladamente, com resposta semelhante às melhores misturas comerciais. Todavia, no período entre 2007 e 2008, resultados de pesquisas realizadas na cultura da soja, em várias regiões do Brasil, mostraram redução de eficiência de alguns Triazóis. Já em 2013, fungicidas Estrobilurinas também apresentaram redução de sua performance, afetando a eficiência das misturas em diferentes níveis. Estes fatos possibilitaram concluir, sobre a seleção de populações do fungo, que se tornaram menos sensíveis aos fungicidas destes grupos químicos.

Dessa forma, já que a indústria não prevê o lançamento de novos princípios ativos de melhor eficiência no combate a essa doença de significativa importância, há a necessidade de se trabalhar com “reforços” associados às misturas existentes visando elevar a eficiência do controle, bem como a vida útil dessas moléculas fungicidas. Dentre as diversas estratégias de antirresistência podemos destacar a associação às misturas comercias dos “velhos conhecidos” fungicidas de contato do grupo químico Ditiocarbamato (Mancozebe), visto que estes agem nos sítios externos de infecção do fungo, permitindo assim uma melhoria significativa no combate à manifestação da doença na planta.

Neste cenário, as práticas agronômicas aliadas às tomadas de decisões do agricultor direcionam o desenvolvimento ideal da lavoura, a fim de se obter elevados níveis de produtividade ao final da safra. Portanto, o emprego de todas as ferramentas e estratégias disponíveis no mercado para a proteção de nosso cultivo é fundamental para vencer essa batalha, pois quando o assunto é ferrugem asiática, é sempre melhor prevenir do que remediar.

Engenheiro Agrônomo Maurício De Bortoli

 

Fonte: Sementes Aurora

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